segunda-feira, 21 de abril de 2014

Recordar é viver ... - o que fizemos até agora, em 2014

Embora nosso lema seja o slow craft - devagar e sempre, só no sapatinho - até que temos produzido bem. A Helena escreveu sobre isso nesta postagem: Slow Craft! Nosso cartãozinho deixa isso bem claro:
Arte: Cristina Henriques (Crisálida)

Nossa primeira remessa do ano foi esta, várias nécessaires:


Depois, vieram estas baldinhos,  microbaldinhos e nécessaires:
Microdaldinho sushi
Gosto demais desse tecido de corujinhas - baldinho lindo!
Microbaldinho crianças retrô

Nossa coracoralina colorida
Estojinho forzinhas miúdas (também em versão verde)
Baldinho flores alegres
Baldinho flores grandonas
Nécessaires para as bailarinas ... ou não ...
A Virgencita de Guadalupe não podia faltar ...

Baldinho Paris je t'aime



O tecido Biblioteca clássica é um dos favoritos!


Os gatinhos quiltados ficaram uma graça, neste baldinho



E Paris nunca é demais - ainda mais no outono ...
Tem sido uma boa produção, não?
(por Cecilia)

quinta-feira, 17 de abril de 2014

A Semana Santa em Goiás - a Procissão do Fogaréu

Uma das cerimônias mais antigas da Semana Santa aqui no Goiás é a Procissão do Fogaréu. A Procissão do Fogaréu é tradição em Goiás Velho desde 1745. O ritual na antiga capital do estado de Goiás simboliza a procura e a prisão de Cristo e se tornou o principal evento da Semana Santa na cidade. Começa precisamente às 0h da Quinta-feira Santa. Quem começou a tradição foi um padre espanhol - Perestrello de VasconcelosNa Península Ibérica já se realizava a Procissão do Fogaréu. O padre, com o objetivo de catequizar os moradores de Goiás, implantou a procissão na cidade. Daí, penso eu, o tipo de indumentária usada pelos participantes, muito semelhante às usadas pelos penitentes da Semana Santa na Andaluzia. Os farricocos são as personagens principais da procissão. Vestem túnicas reluzentes de cores vivas e representam os soldados romanos que perseguiram Jesus. 

Foto: viajeaqui.abril.com.br

A procissão sai da Igreja da Boa Morte,  e só se escuta o som cadenciado dos tambores. 

Construída em 1779. Desde 1969 é sede do Museu de Arte Sacra da Boa Morte.
 Segue em direção à igreja Nossa Senhora do Rosário, onde está reproduzida a Santa Ceia. Quando os farricocos chegam, Jesus já não está lá.

Construída em 1761, foi demolida e refeita em 1934 por padres dominicanos, que alteraram elementos da fachada original. Que tristeza!
Então o grupo continua a busca, que só acaba diante da Igreja de São Francisco de Paula, local que representa o Monte de Oliveiras. Neste momento, surge um estandarte com a imagem de Cristo, obra do artista goiano Veiga Valle (1806-1874).  Logo em seguida, um clarim executa o toque de silêncio. É o fim do percurso. Depois disso, é celebrada uma missa.

Concluída em 1761. A imagem do altar, de Bom Jesus dos Passos, veio de Salvador.

Foto: TV Anhanguera

Casa de Veiga Valle, Largo do Rosário, Goiás Velho.

Goiás Velho faz parte da minha colcha existencial. Quando os meninos eram pequenos sempre íamos passear por lá.
A Helena escreveu sobre a cidade nesta postagem: Fim de semana: viagem ao interior do Brasil. É a terra de Cora Coralina: 


Em Braga, Portugal, também fazem a mesma procissão. Para saber mais: Procissão Ecce Homo.
As outras cidades do Brasil onde fazem procissão semelhante são Caxias, no Maranhão; Lorena, em São Paulo; Petrópolis, no Rio de Janeiro; Santa Luzia, na Paraíba.
Em tempo: procurei a origem da palavra "farricoco". O Caldas Aulete diz que é de etimologia obscura ...

Feliz Páscoa! Cristo ressuscitou!
(por Cecilia)

domingo, 13 de abril de 2014

Bordadinho fofo da Helena no Banana Craft

É sempre uma alegria quando vemos um trabalho nosso no Banana Craft! Valeu, Daniele!
O bordado foi este aqui:


Como sempre em excelente companhia! Vamos dar uma olhadinha lá?


 (por Cecilia, mãe coruja)

domingo, 23 de março de 2014

São as águas de março fechando o verão ...

Primeiro domingo do outono. Chove muito em Brasília.


E aqui a minha querida eterna canção - Outono no Rio


Foi num 23 de março que a Helena nasceu. Era uma bolotinha cor de rosa, tão lindinha que era. Agora é uma lindona. Tenho muito orgulho de ser mãe dessa pessoa tão bonita,  inteligente e perseverante.
Aqui a melodia que o vovô Guerra fez pra você - O violãozinho na rede pequena.



(por Cecilia - fim de domingo - recordações musicais)

sábado, 1 de março de 2014

Rio de Janeiro que eu sempre hei de amar ...

Um pouco de História: Primeiro de março de 1565 - Estácio de Sá funda a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. O nome São Sebastião foi uma homenagem ao então rei de Portugal, D. Sebastião. 
No quadro abaixo, o pintor carioca Firmino Monteiro (1855- 1888) nos dá sua visão de como teria sido a cerimônia da fundação da cidade. 


O quadro faz parte do acervo do Palácio Pedro Ernesto, sede da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, ali pertinho do Theatro Municipal, na Cinelândia.
Pouca gente sabe, mas os restos mortais do  fundador da Cidade Maravilhosa estão na Igreja dos Capuchinhos, na Tijuca, próximo ao altar-mor. Na mesma igreja está a pedra fundamental da cidade e também a imagem primitiva do padroeiro São Sebastião, trazida de Portugal no século XVI.

"Aqui jaz Estácio de Saa, 1o Capitam e Conquistador desta terra cidade, e a campa mandou fazer Salvador Correa de Saa, seu primo, 2o Capitam e Governador, com suas armas e essa Capela acabou o ano de 1583."
O bairro do Estácio tem esse nome em homenagem ao fundador Estácio de Sá. Copio da Wikipédia: "O bairro possui grande importância cultural por estar associado às origens do samba. Foi cantado nos versos de Noel Rosa e de outros compositores de primeira grandeza da música popular brasileira.  É conhecido como o "Berço do Samba", por ter visto nascer a Primeira Escola de Samba, em 1928, a Deixa Falar, fundada por Ismael Silva. Abriga a Escola de Samba Estácio de Sá, campeã do carnaval carioca em onze ocasiões entre 1965 e 2006".
Essas são histórias do meu Rio ...

(por Cecilia)

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Vendo o Bairro Peixoto com os olhos da Helena e com minhas elucubrações

Quando nos mudamos para o Bairro Peixoto, ele era chamado de  Bairro do Peixoto. Não me lembro quem nos contou que era "do Peixoto", porque ali havia uma fazenda, cujo dono se chamava "seu" Peixoto. Mais tarde, bem mais tarde, pesquisando na Internet, li que se tratava de um comerciante português, o Comendador Paulo Felisberto Peixoto da Fonseca. Aqui um mapa; assim, fica mais fácil para localizar esse bairro dentro do outro bairro, que é Copacabana. Na época, morávamos na Tijuca, num apartamento quentíssimo, um terror! Num domingo pela manhã, saímos à procura de um local mais fresco para morar, na Zona Sul, e, nem me lembro como, chegamos a um lugar que, de cara, nos conquistou. Sem saber, estávamos em Copacabana, no Bairro do Peixoto. O prédio estava em final de construção, mas já dava para morar. Pura sorte! A Helena nasceu aí; eu estava grávida de oito meses, o que significa que ela foi feita na Tijuca. Já o Augusto foi feito aí, mas nasceu em Brasília. Agora em fevereiro, a Helena passou uns dias no Rio e, como sempre, encantada com o bairro (ela o chama de "meu bairro"), fez algumas fotos. Com os olhos da Helena, vou desfiando minhas elucubrações.


Sempre brinco, dizendo que é um bairro intelectual. As ruas que vão ladear a pracinha ( Praça Edmundo Bittencourt - ele foi o fundador do jornal Correio da Manhã, um dos mais importantes do Brasil) são a Maestro Francisco Braga e a Décio Villares. O maestro (1868-1945) é o autor do Hino à Bandeira, com versos de Olavo Bilac. Décio Villares (1851-1931) foi um pintor, escultor e desenhista, muito famoso na sua época. Li na sua biografia, que foi quem executou o disco azul da bandeira do Brasil. O que isso significa? É só ler aqui, vale a pena. E mais lá em cima, saindo do Túnel Velho e desembocando na Santa Clara, está a Rua Henrique Oswald. Henrique Oswald ((1852-1931) foi pianista, compositor e diplomata. Foi diretor do Instituto Nacional de Música, de 1903 a 1906. Estudei aí, quando se chamava Escola Nacional de Música da Universidade do Brasil; atualmente é a Escola de Música da UFRJ.
O prédio que fica nessa esquina tem a entrada de serviço na Décio Villares e a entrada principal na Maestro Francisco Braga.


Por suas características arquitetônicas (ele é tombado), o Bairro Peixoto é cenário de novelas e romances. A fachada do prédio da foto acima serviu de moradia de uma das Helenas do Manoel Carlos, a da Maitê Proença, na novela "Felicidade", de 1991/92 - me informei aqui. A Helena da vez, Julia Lemmertz, é filha da primeira Helena, a Lilian Lemmertz (primorosa, atriz maravilhosa), que nos deixou cedo demais.
A Nazaré da Renata Sorrah, de Senhora do Destino, morava numa casa da Décio Villares (a Nazaré, personagem, não a Renata Sorrah). A Bete Mendes mora na Décio Villares, além de muitos outros artistas. Nesta crônica do Artur Xexéo, que, aliás, mora lá, tem uma listinha - A Beverly Hills de Copacabana. O Pontinho,  que na realidade se chama "Stop Here", restaurante do Toninho, meu vizinho de prédio, também serviu de cenário para algumas tomadas da novela. O Pontinho é o único restaurante do bairro, que é estritamente residencial. Tem uma vendinha do lado, muito bem sortida, que é também do Toninho. Não posso deixar de citar o Edvaldo, meu garçom preferido. 


Na foto acima e na de baixo, podemos ver o endereço ficcional do delegado Espinosa, personagem principal dos romances policiais do Luiz Alfredo Garcia-Roza. Os leitores de Garcia-Roza sempre se perguntam qual é o prédio onde mora do delegado. Numa reportagem de 2008, do O Estado de São Paulo, ele esclarece: "Eu digo que ele mora em um apartamento que tem janela francesa, o que já é bastante limitador, e que é um prédio de três andares. Então, três andares, janela francesa e um balcãozinho…". E acrescenta: "Na verdade nenhum prédio daqui preenche todos esses requisitos. Mas este, o amarelinho, é muito parecido. É o de número 396 da Rua Maestro Francisco Braga, em frente à praça, amarelo claro de três andares e grandes janelas. A que está mais aberta, à esquerda de quem olha, seria a da sala de Espinosa (...)". A reportagem completa, aqui. Mais sobre o autor, aqui e aqui


O prédio fica bem de frente para a pracinha, na descida para a "muvuca" de Copacabana. Descendo mais, a gente encontra uma passagem que liga o Bairro Peixoto à Rua Santa Clara. É a passagem Moacyr Deriquém (1927- 2001), assim chamada em homenagem ao ator - morador e caminhante cotidiano do bairro. Descendo mais, a Décio e a Maestro se encontram, e começa a Anita Garibaldi, que vai dar bem em frente à Galeria Menescal, de decoração art-déco,  passagem para a Rua Barata Ribeiro. É tombada pelo Patrimônio Histórico.


O delegado Espinosa se senta neste banco da pracinha. É onde eu me sento também para descansar, quando desço a minha rua para chegar à Barata Ribeiro e à Nossa Senhora de Copacabana. Podem perguntar se é o único banco da praça. Claro que não. Mas é o que está em frente ao cercadinho onde ficam os bebês nos seus carrinhos com suas babás ou suas mamães, e onde brincam as crianças menores.  É onde eu gosto de me sentar para observar o movimento e descansar para continuar a caminhada. Tem outro cercadinho, onde os meninos maiores jogam bola. Os cachorros correm pela praça, acorrentados ou não. Tem um espaço com aparelhos de ginástica. Tem uma imagem de Nossa Senhora de Fátima, onde sempre há um grupo rezando. Tem a feira das quartas-feiras. Tem a feira de produtos orgânicos dos sábados. Tem o chafariz. Tem ... muita coisa. Tem os velhinhos passeando e tomando sol. Não é uma pracinha, é um "pração". Mas, para nós, moradores do bairro, é a pracinha do coração. E nem falei do bambuzal de antigamente, nossa ...
( por Cecilia. Obrigada, Helena, pelas recordações que você me despertou, lindona!)

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Nosso cestinho de trapilho no Banana Craft

Ai, que delícia! Nosso crochezinho está entre as melhores fotos da semana do Banana Craft. E, como sempre, em excelentes companhias: Déia Cordeiro, a Ana do Atelier Caseiro e outras artesãs de mão cheia! É só conferir aqui. A seleção feita pela Daniele é sempre muito alegre e colorida. 


A foto foi feita pela Ruby Fernandes, amiga muito querida. Em julho de 2013 falamos sobre o site de fotografias da Ruby
Gosto muito de trabalhar com trapilho. O trapilho ou trapo,  também conhecido por "tec-tec", "tirelas" e, -  fiquei sabendo há pouco tempo - "fio de malha", é a sobra do  algodão ou da lycra das lojas de confecção. Com ele podem ser feitas peças de artesanato bem bonitas. Falei sobre o trapilho nesta postagem de 2009, quando fui a Portugal e encontrei no Porto a retrosaria (Cuidado! Em Portugal não se diz armarinho) Retrozão & Companhia:


Na internet é possível encontrar muita coisa sobre o trapilho (incluindo-se aí a nossa postagem). É só colocar "trapilho" lá no Google. Vale a pena dar uma conferida. Valeu, Daniele!
(por Cecilia)

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Elucubrando: a romã e seu simbolismo

Estou escrevendo na noite do dia 15 de janeiro; mas, como o dia judaico começa quando o sol se põe, já é dia 16, dia em que, em 2014, se celebra uma das festas mais bonitas do Judaísmo. É o Ano Novo das Árvores, a festa de Tu Bishvat. Sempre curiosa, quis saber o que significa Tu Bishvat. "Tu" é a sigla formada, em hebraico, pelas letras "Tet" (corresponde ao número 9) e "Vav" (corresponde ao número 6). Toda letra hebraica tem um valor numérico; a combinação dessas duas letras totaliza o número 15. "Shevat" é o nome do mês que, pelo calendário judaico, ocorre no fim do inverno (Israel está no hemisfério norte). Então, "Tu B'Shevat" refere-se ao 15º dia do mês de Shevat. Este dia tem um significado especial, pois o ser humano é comparado à árvore: assim como a árvore está em constante crescimento, nós devemos procurar crescer e produzir frutos, tanto no sentido material, quanto no sentido espiritual. É costume comer das sete espécies destacadas na Torá - duas de grãos e cinco de frutas -: trigo, cevada, uva, figo, romã, azeitona e tâmara. Todas têm sua simbologia, que pode ser lida aqui.

As sete espécies (truthpraiseandhelp.wordpress.com)
Gosto muito dessa comparação da vida humana com a vida das árvores, dessa noção de crescimento, não só físico, mas também espiritual do ser humano. Em Israel, a festa é comemorada nas escolas, com o plantio de árvores pelos alunos.
Das espécies mencionadas, a que mais me intriga é a romã. Por quê? Ela está presente nas três culturas mediterrâneas - a cristã, a judaica e a árabe. Nas três culturas é símbolo de amor, fertilidade e prosperidade. No Islamismo, a romãzeira é mencionada três vezes no Alcorão: duas vezes como exemplo das boas coisas feitas por Deus e outra como um dos frutos que se encontram no Paraíso. Maomé disse que "quem comer uma romã inteira tem seu coração iluminado por Deus e se afasta dos enganos do demônio e da tristeza por 40 dias". No Cristianismo, significa vida eterna e fertilidade. A romã aparece em obras de arte, principalmente nas pinturas de Maria e Jesus menino. Botticelli (1445-1510) pintou um quadro belíssimo "La Madonna della Melagrana". San Juan de la Cruz (1542-1591), um dos grandes poetas espanhóis, no "Cântico Espiritual" reconhece na romã as perfeições divinas, com seus numerosos efeitos, e os seus grãos como expressão da eternidade e da doçura divina. No Judaísmo, a romã é símbolo da integridade de caráter, porque suas 613 sementes correspondem aos 613 mandamentos da Torá, as mitzvot. Qualquer ato de bondade humana contitui uma mitzvá (singular de mitzvot). No Ano novo Judaico (Rosh Hashaná) é tradição comer romã, para que os merecimentos possam crescer como suas sementes.
Madonna della Melagrana - 1487 - Galleria degli Uffizi, Florença
Detalhe (Menino Jesus com a romã)


Amo muito tudo isso! Me encanta elucubrar!
(por Cecilia)